Um ano saudoso

quixadá

Há um ano nesta terra enlutada
Saudosa e triste pela partida incompreendida
As marcas de sangue sob as fardas em chão de terra batida
Deixou-nos o vazio de uma lacuna desacompanhada
Vendo a família, desde então de veras desolada
Buscamos em Deus a conformação devida
Aos irmãos de farda que labutam nesta vida
Não nos esqueçamos daqueles irmãos, de suas histórias… de nada.

Se o momento se faz conveniente
Farei aqui, um breve relato simples, mas de forma clara
Na manhã do dia 30 de junho passado, me veio todo contente
Como todas as vezes fazia, não era uma passagem rara
Um irmão, como os outros dois também ausente
Falando de sua aposentadoria, feliz expressamente
Expondo em sua farda o nome GUANABARA

Naquela tarde, todo o sangue que embebedava o chão
Fez descer lágrimas no rosto de quem ouvira
Quebrantou os corações de quem o admira
Amigos, colegas, família… a geral população
E na marcha triste da fúnebre canção
GUANABARA, que por nós no céu suspira
És uma estrela, não de farda, mas no céu que tanto brilha
E no seio de sua amada corporação

Da mesma forma, continuando a minha literatura
Não posso esquecer da serenidade, descrita em seu papel
Do seu olhar fraterno, tranquilo, quiçá ternura
Feliz, feito crianças num carrocel
Sempre na dele… grandão mas com candura
A sua imagem está estampada nos muros do quartel
O sangue, a covardia, o silêncio não desmontou sua armadura,
És um gigante, és “cartoleiro”, és policial, és JOEL.

Naquela tarde, todo o sangue que embebedava o chão
Fez descer lágrimas no rosto de quem até te desconhecia
Mas ao se depararem com uma notícia com tanta covardia
A cidade inteira foi tristeza e oração
E continuando a marcha triste da fúnebre canção
Posso eu, declarar com douta alegria
Que no serviço, nos basquetes e cartolas da vida, com maestria
Foste sempre um outorgado campeão

Versando minhas amadoras rimas e meu texto sem brilho
Favorecei o meu afeto e o meu “engulo” amargurado
Ao meu amigo, o motorista pefeito e arrebatado
Que das estradas dos sorrisos e amigos foi andarilho
Um polical bravo, cumpridor do seu legado
Assim como os outros, pelos bons, foi valorizado
Canto esses simples versos com amor, o estribilho
O nome do eterno e saudoso: ANTÔNIO FILHO

Naquela tarde, todo o sangue que embebedava o chão
Fez descer lágrimas no rosto de quem te admirava
Até os desconhecidos pelos cantos chorava
Transformando todos em uma só oração
E continuando a marcha triste da fúnebre canção
Faço ecoar nas pedras das terras que você guardava
Em forma de palavras, sua alegria que entoava
Que não seja esquecido nunca, naquele sangue lá, em vão
Quero que estes versos não sooem tristes, nem um momento sequer
E que todo o engasgo daquela tarde, daquele momento sofrido
Seja convertido em justiça, amparo, fraternidade… sem alarido
Que nossa caserna não os tenham deitados e sim, sempre em pé
Que o sofrimento, a angústia diste de seus filhos, amigos e mulher
E que mesmo que a dor nos consuma e amargura por dentro nos invade
Guanabara, Joel, Antonio Filho… que Deus os guarde
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

3º SGT PMCE Waldisney Ferreira.

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